Publicado por: Paulo Lima | 5 junho, 2009

Teatro do Desencontro

As cortinas se abrem, eis aqui o grande Teatro do Desencontro, onde seres, ditos, humanos contracenam com seus pares. Não se vê mais os monólogos, onde os atores perguntam e respondem a si mesmo o porquê de tantos porquês. A natureza caótica do ser humano, de complicar o óbvio, o leva frequentemente a situações sem resposta.

Vivemos em uma rotina, encurralados muitas vezes por trabalhos repetitivos e enfadonhos, em busca do vil metal. Encenamos, muitas vezes, papéis que não queremos desempenhar seja no trabalho, seja na família ou até mesmo em relacionamentos.

O grande palco perdeu o brilho, são poucos os atores que ainda desempenham com louvor seus papéis, se perdeu a vontade de ser o que realmente queríamos ser, não se fazem mais crianças que queiram ser bombeiros, astronautas, páraquedistas. O sonho acabou já dizia John Lennon. Somos treinados desde crianças para sermos engrenagens de um sistema capitalista desumano e cruel.

O alcance de nossa visão não nos permite mais olhar para baixo, ou para os lados e ver o mundo como ele realmente é, nos tornamos máquinas em busca do sucesso, ou do que nos disseram ser o tão sonhado “sucesso”. Queremos luzes, brilhos, fama, poder, carros da moda, mulheres ou homens que tem o que foi convencionado de belo. Não sabemos mais conversar, não sabemos mais escutar, opinar e sentir.

Nosso criador tentou desde nossa matriz, nos tornar inteligentes, alegres, ajudar e ser ajudado, mas o próprio contraponto da existência nos torna máquinas fúteis. Isto é assustador como visão de mundo. Pensar que viramos ratos de laboratório, soltos em um grande labirinto chamado existência. Quantos de nós sabe realmente que porta quer abrir, que caminho quer trilhar, olhando para dentro do seu próprio eu? Quantos de nós realmente é o que pensa ser?

Oxalá que o grande Diretor deste teatro consiga, ainda, há tempo reorganizar os milhares de palcos e atores destes patéticos teatros espalhados pelo nosso planeta, onde a única coisa que difere, talvez, seja a linguagem falada.

05/06/2009

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Publicado por: Paulo Lima | 29 maio, 2009

CORRER RISCOS

Rir é correr risco de parecer tolo.
Chorar é correr o risco de parecer sentimental.
Estender a mão é correr o risco de se envolver.
Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro eu.
Defender seus sonhos e idéias diante da multidão é correr o risco de perder as pessoas.
Amar é correr o risco de não ser correspondido.
Viver é correr o risco de morrer.
Confiar é correr o risco de se decepcionar.
Tentar é correr o risco de fracassar.
Mas os riscos devem ser corridos, porque o maior perigo é não arriscar nada.
Há pessoas que não correm nenhum risco, não fazem nada, não têm nada e não são nada.
Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas elas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam, não crescem, não amam, não vivem.
Acorrentadas por suas atitudes, elas viram escravas, privam-se de sua liberdade.

Somente a pessoa que corre riscos é livre!

Seneca
(orador romano)

Publicado por: Paulo Lima | 18 maio, 2009

Coragem

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“O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”. (Guimarães Rosa em Roseana).

Viver, o que é viver? Acordar, realizar uma série de atividades e depois dormir? Quantos de nós vivem assim? Passam a vida sem jamais questionar nada, sem pensar o porquê o sol nasce no leste e se põe no oeste, ou mesmo o porquê uma formiga consegue carregar até 50 vezes seu próprio peso? Coisas inúteis talvez para muitos. Vivemos sem perceber as maravilhas que a natureza nos mostra a cada segundo, entre outras coisas. Qual a real preocupação dos seres humanos?

Coragem talvez seja a palavra chave, quem já parou para observar o que está fazendo, ou como está vivendo sua própria vida? Quantos de nós se deu esse tempo? Para refletir, pesar, medir e olhar o caminho já trilhado até o momento? Não sei, nem sei se eu mesmo já fiz isso… Falta coragem para rever, criticar, pesar, decidir e fazer. Coragem, bravura, intrepidez, ousadia precisamos disso sim. Precisamos rasgar os invólucros, as barreiras, fazer o que nos deixa feliz, errar para depois acertar, começar, mudar, ser realmente o que queremos ser e não o que querem que sejamos, lutar por nossos ideais, ser ativista pela causas que concordamos, esquecer o preconceito, ser irracional para se tornar racional, ser paradoxal para se tornar um questionador de si mesmo. Ser autêntico para poder ter coragem.

Apostar no que se deseja é ser objetivo, ser objetivo é buscar o que mais queremos em todas as áreas de nossas vidas, e jamais esquecer que apesar de tentarmos dividir nossas vidas em áreas, apenas uma governa o nosso ser, que nos causa um único sentimento, que chamamos de felicidade. Talvez eu conclua dizendo que por mais que tentemos priorizar coisas, elas em algum momento vão ter um choque de interesses, que tende a nos travar em nós mesmos, pelo fato de querer ter tudo ao mesmo tempo agora, contrariando a lei maior do universo, chamada lei do equilíbrio que rege todas as coisas vivas e “não vivas”. Para ter equilíbrio é preciso desprezar coisas para se ter outras, observo incontáveis seres humanos a coletar coisas que querem, de forma desenfreada e egoísta desrespeitando o equilíbrio de si mesmo, apenas por desejar sem ter um real objetivo.

Coragem é apostar, aposta é dúvida, incerteza, é ganhar, é perder. Aposte no que você mais quer, sim simples assim, mas e o resto? Resto não é resto…é apenas uma forma sutil de cuidar de tudo em seu devido tempo!

18/05/2009.

Publicado por: Paulo Lima | 24 novembro, 2008

Impar

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Os seres humanos passam a vida inteira buscando pessoas, lugares, opiniões, carinho e a tão sonhada felicidade.

Andei pensando nas coisas ímpares da vida, aquelas coisas únicas que passam e você sabe que jamais poderá tê-las de novo pelo simples fato de não terem um par.

Nascemos de forma ímpar, pois até mesmo os gêmeos são ímpares apesar se suas semelhanças. Por que queremos quebrar a nossa própria unidade? Cedo ou tarde a busca começa, é nos lançamos na mais extrema das expedições do homem: “A busca pelo par perfeito”.

Para embarcar nessa expedição é necessário estar preparado, ter técnica e saber lidar com o desconhecido, nessa dura expedição alguns nem conseguem voltar vivos, pois os lugares da mente são mais perigosos que escalar a mais alta montanha do planeta.

Durante a expedição encontramos vários indivíduos pelo caminho, muitos deles são testados e descartados, como uma experiência mal sucedida, somos às vezes mais frios que o mais frio dos cientistas que não vê a vida em suas cobaias. Atropelamos pessoas, destruímos vidas justificando que isso é parte da busca pelo par perfeito.

Até que um dia “achamos” que achamos o par perfeito, o ser ideal, aquele que estava guardado na mais longínqua montanha do planeta, o tão sonhado “velocino de ouro” perseguido por Jasão e seus Argonautas.

Somos cientistas de nós mesmos, ai resolvemos aplicar a mais complexas das fórmulas matemáticas, que contraria tudo que aprendemos. Achamos que um mais um é igual a um. Somos tão ímpares que não queremos aceitar que a soma de duas unidades gera uma dupla, um par. Esquecemos tudo que aprendemos, porque esquecemos dos primeiros ensinamentos que aquela “tia” lá do primário nos transmitiu.

Somos tão verdadeiramente “esquisitos” que após um tempo percebemos que o “ímpar” que criamos é na verdade um par, o problema é que na maioria da vezes a percepção é tardia, ai voltamos a ser ímpares novamente.

Assim como as pessoas, deveríamos também aproveitar os momentos, os lugares, os amigos, pois eles também são ímpares. Por mais que você reúna os mesmos amigos todos os meses, na mesma casa, no mesmo dia da semana, com a mesma música essa reunião nunca será como o anterior, porque os momentos são ímpares.

03/09/2006

Publicado por: Paulo Lima | 24 novembro, 2008

Universo Paralelo

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Dois mundos
Duas cores
Dia ou noite
Alegria ou tristeza
Sonho ou realidade

Gêmeos que discordam
Preto ou branco
Querer ou abandonar
Buscar ou deixar
Ficar ou partir

TV ou cinema
Amigos ou amores
Família ou Amigos
Amores ou eu
Eu ou o espelho

Saudades de mim
Tudo por mim
Nada para mim
O que busca não encontra
O que encontra não quer

Ficar ou partir
Andar ou correr
Matéria ou Essência
Ganhar ou perder
Mocidade ou velhice

A ficha caiu
Universo Paralelo
1 + 1 = 1
O lado foi escolhido
Resolveu ficar
Mas o tempo acabou

16/01/2007

Publicado por: Paulo Lima | 24 novembro, 2008

O Filme

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Corri para bem longe em busca de algo que nem eu sabia.

Não sabia a cor, não sabia o tamanho, não sabia o peso, não sabia nada, talvez eu não soubesse nem quem eu era.

Agimos de forma insensata quase sempre, esquecemos que temos registro de tudo em nossas mentes, e que podemos ver esse filme sempre que precisarmos. Buscar a resposta na história em que somos a principal personagem.

Marque uma sessão como você mesmo. Assista o melhor dos filmes, o filme chamado “A Sua Vida”, ele é tudo ao mesmo tempo: drama, aventura, ação, romance, suspense, comédia e o que mais você desejar.

Aprenda com cada momento, extraia as respostas de cada parte. A qualquer hora você pode revê-lo, sente-se no lugar mais confortável. Você vai ver cenas lindas e desagradáveis.

Assista como um crítico especializado e com bastante cuidado, veja o que te fez rir e o que te fez chorar. Analise atores e lugares. Observe cada ator, principalmente os coadjuvantes e figurantes, que muitas vezes passam despercebidos, você vai descobrir coisas incríveis sobre eles.

Você também ficará surpreso ao descobrir que deu o papel errado a muitas pessoas, e que muitas pessoas não mereceram ter papéis de destaque. Isso vai te deixar muito triste, mas quem sabe você não pode consertar isso agora, refazer o filme, refazer a cena, tudo é possível.

Se o filme não puder ser refeito não fique triste, aprenda com seus erros, use-os para não cometê-los em um novo filme.

Você vai descobrir também que não pode mais contar com muitos dos atores, lembre-se que novos atores sempre chegarão, e nessa hora cuidado, analise-os e veja se realmente merecem estar na maior produção dos últimos tempos, um filme chamado: “A sua vida”.

06/06/2005

Publicado por: Paulo Lima | 24 novembro, 2008

Tempo

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Um mil quatrocentos e sessenta segundos multiplicados por trezentos e sessenta é exatamente igual a quinhentos e dezoito mil e quatrocentas unidades de tempo que convencionamos chamar de segundo.

É exatamente esse número de unidades que possui o ano terrestre, onde estamos fincados e convivendo com outros milhões de seres, às vezes somente com nós mesmos, e até com monstros e moinhos de vento de Cervantes.

A cada ano terrestre passam pelo funil da ampulheta, que convencionamos chamar de vida, quinhentos e dezoito mil e quatrocentas unidades de tempo. E, plagiando Renato Russo “…não tenho mais o tempo que passou…” acelerando e ainda plagiando eu diria “… não temos tempo a perder…”

Enquanto estamos estáticos, congelados ou presos ao passado, o presente se torna passado e futuro se torna presente.

Assim como passa o tempo, passam pessoas, fatos e oportunidades.

O que passou talvez nunca retorne, e mais uma vez ficamos presos ao futuro do pretérito. Questões de HOJE se tornam o ONTEM que influem no AMANHÃ.

Aqui fica meu registro de tempo sobre o tempo, o tempo que podemos multiplicar por coisas relevantes e que nos façam crescer.

Cada unidade de tempo que cai não pode ser recuperada, então convido os seres pacientes que chegaram nesse ponto da leitura, uns perdendo e outros investindo tempo, que convertam cada unidade de tempo depositada em sua conta de vida em momentos positivos, pois assim quando a última gota da preciosa unidade passar pelo funil da ampulheta a visão da “areia da vida” será como alvas dunas em uma praia num dia de sol.

05/11/2007

Publicado por: Paulo Lima | 24 novembro, 2008

A força

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Tenho há muito buscado por respostas.

Já te procurei entre as nuvens, no fundo do mar, nas selvas, nos rios, nas montanhas, mas não te vejo, apenas sinto que estás em todos os lugares.

Você sempre vem até mim de uma forma engraçada, eu arriscaria dizer “quase humana”.

Sei que sou impaciente contigo às vezes, mas pareces querer testar minha paciência exatamente para que eu a treine e me torne melhor a cada dia.

E, alguns momentos pareces ser duro comigo, eu me revolto, grito, choro e até chego a pensar que não existes.

Sei que ris de mim nessas horas, mas ao mesmo tempo me acalma.

Sei que tens o mundo, talvez o universo inteiro para cuidar, mas mesmo assim estás sempre por perto.

A tua complexidade não será descoberta ou mapeada por nenhum de nós, porque o que temos de inteligência nos foi dado por ti, e se assim quisesses já saberíamos de tudo, mas não é a hora.

Uns te chamam de luz, alguns de energia, natureza, força interior e outros preferem te chamar de Deus. Seja qual for o teu nome sei que estás por perto e que cuida de cada um de nós.

Como criança despeço-me de ti, pedindo desculpas pelas tolices que fiz e pelas bobagens que falei.

Obrigado sempre pelas lições que tens me feito aprender e por sempre estar por perto nos momentos difíceis, mesmo quando estou tão “cego” para vê-lo.

11/07/2005

Publicado por: Paulo Lima | 24 novembro, 2008

Limites

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Tento justificar minha existência.

Faz parte da natureza do homem o impulso chamado “ânsia de viver”.

Antes de nascer, na concepção, o ser humano é dotado deste impulso.

E já somos todos vitoriosos, pois ganhamos nossa primeira corrida: a corrida dos espermatozóides, desde então lutamos pela nossa vida!

Surgem então os limites, as fronteiras, as balizas da vida, sejam eles físicos ou sociais.

Os limites, muitas vezes, nos impedem de viver plenamente.

Nos acovardamos tentando justificar sempre com algo que limite nossa capacidade.

Sempre nos perguntamos: quando parar, onde parar, até onde ir?

Será que precisamos ser sempre limitados?

Lembro do perfume, e que seja o mais precioso de todos. Para que ele não se perca, não se evapore, é necessário um frasco que o limite.

Quanto isso é paradoxal, pois o frasco (limite) deve contê-lo, mas não confiná-lo.

Que utilidade tem o perfume que não se pode usar. O frasco deve permitir que o perfume seja aberto, para ser usado e encantar.

Assim como os limites que existem para serem transpostos.

Estamos aqui hoje porque muitos resolveram ir além da barreira imaginária.

Impulsionados por saber o que existe além do horizonte.

Andar na linha imaginária entre os dois mundos.

Essa deve ser força que nos impulsiona. O verdadeiro combustível da vida.

E é assim que tenho tentado viver.

19/06/2005

Publicado por: Paulo Lima | 24 novembro, 2008

Observando

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Seria bom começar este texto de forma abstrata, porém talvez a abstração não seja a melhor fora de atingir os inúteis de espírito (sem qualquer conotação religiosa)…

Observação, talvez seja a melhor forma de extrair sensações, erros, aspirações, inutilidades, vaidades, sofrimento, alegria, inteligência, poesia, e paradoxalmente a melhor forma de observar o nada, o vácuo, o “gap”, e os zumbis sociais…

Siglas, sobrenomes, aparência, coletividade, o indivíduo… a pergunta é? Quem você observa? Ou o que você observa?

Observando o provável observador, observei que o mundo tende ao caos, se existe um conceito de ordem, há muito se dissipou, numa engrenagem falha chamada interesse, que não necessariamente se conecta ao capital…

Mundo de pessoas jurídicas, de sobrenomes, de posses, mundo frágil, perdido, fétido. O pobre que virou rico, o rico que é pobre, e mais uma vez o paradoxo se manifesta como a própria essência do caos, o pobre que hoje é rico busca o rico que hoje é pobre, buscando sonhos, nostalgia ou talvez um ícone.

E assim algo recursivo que não leva sequer a salvação mínima de moral, valor e muito menos vida se impregna no que chamamos de sociedade.

14/11/2008

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