Publicado por: Paulo Lima | 22 setembro, 2010

Admirável Mundo Novo

O ser humano em sua amplitude de desejos de Alice, às vezes quer o que não se pode ter, ou ter o que ele mesmo não pode possuir.

Uma jornada chamada vida, onde existe um maldito conceito de certo e errado, de padrões que insistem em não se atualizar, de um medíocre “mundo novo”.

Mundo novo “porra nenhuma”, que mundo novo é esse com pessoas novas e mentes velhas, com brilhantes descobertas e atitudes antigas, com modernas cidades e habitantes medíocres.

Não acredito definitivamente em mundo novo. Se novo fosse, as pessoas também teriam conceitos novos, atitudes novas, vontades novas, defeitos novos, amores novos…

Fincadas como raízes de uma velha árvore que insistem em não morrer, as pessoas se prendem a conceitos do passado, desejam coisas que seus antepassados de três ou quatro gerações também desejavam, o cerne do ser humano não mudou em nada.

A evolução mental do homem é lenta em relação ao próprio homem. Somos capazes de lançar foguetes, construir robôs, fincar uma bandeira na lua, mas não somos capazes de fazer um mundo melhor baseado em conceitos simples.

Somos apenas uma máquina de desejos fúteis, de uma sociedade feudal disfarçada de democracia, de barreiras sociais, onde as pessoas são capazes de fingir que nada de errado está acontecendo.

Em ambientes suntuosos “homens de preto” querem a qualquer custo se tornar deuses. Ser deus, seja lá que deus for, é algo grandioso, um deus do bem precisa ser digno, honesto, piedoso, respeitar as pessoas e acima de tudo não precisar provar que é deus.

Admirável mundo novo, onde bruxas da idade moderna espancam crianças indefesas, desviam verbas de seu próprio povo para gastar com futilidades, onde as pessoas fingem não ver os mendigos se arrastando pelas ruas por não ter mais nem sua própria dignidade.

Admirável mundo novo, onde precisamos ficar detidos e pagar caro por morar em uma prisão, porque temos medo de quem está do outro lado do muro.

Medo dos monstros criados por nós mesmos, que são produtos de nossas escolhas, quando elegemos incompetentes, desonestos e oportunistas cujo objetivo maior é aumentar, ainda mais, a sua própria fortuna.

Que admirável mundo novo é esse, onde os mais pobres não tem educação, dignidade e respeito, somos cegos de visão perfeita. Abstraímos o que nos convém de forma tão natural que chega a ser imoral a cegueira coletiva.

No mundo novo é assim, os óculos da mediocridade só permitem ver o que o próprio medíocre quer ver.

O mundo novo é tão velho, tão velho que as pessoas se preocupam por você ser como é, porque na verdade, segundo o conceito delas, você deveria ser como elas acham que você deveria ser e agir.

Admirável mundo novo “porra nenhuma”. O que me admira mesmo é isso: “me admirar do mundo novo”.

(11/05/2010)

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